28 de julho

Querida Ellie,

São 23:35 de um sábado tedioso de uma vida monótona. A chuva cessou depois do longo e belo temporal. Há de se discutir em uma outra carta se são belos mesmo os temporais. Há de se levar em conta que de determinado ponto de vista sejam tristes e medonhos.

Me desfiz em lágrimas esta manhã – não há motivo específico ou talvez haja, mas não me é claro. Abri a última garrafa de vinho barato que havia na dispensa. Chorei mais um bocado e caí na cama. As “ruas” andam tristonhas. As paredes estão cinzas, as pessoas estão cinzas.Percebe o quanto de cores perdemos nos últimos tempos?

Ah! o cansaço me toma. Há de haver ainda esperança que se sustente numa alma tão despedaçada quanto a minha? Há de haver ainda?

Há de se considerar que com esperanças ou não. Felizes ou não. Despedaçados ou não. A vida há de continuar. Eu, de certo modo, me deixei paralisar, mas a vida tem cobrado. Hei de desabar ainda inúmeras vezes. A sensação é de que numa dessas não levante novamente. Sabes aquela história de estar tão perto de alcançar algo, mas numca alcançar de fato – não falo da utopia. A sensação de estar tão perto de algo e de repente se desfaz e tudo volta a parecer distante. Sabes o que é sempre que se está a um passo do objetivo voltar dez passos assim de repente?! Continue lendo “28 de julho”

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Fútil

 

 

Face, a fronte, em fato, enfático e infante

enfrento  cada  calo e, descarado, avante

quando tempo se negou a ir, eu fui

e foi-se o tempo e o vento,

e de lamento só restou o  instante

 

de face ao front, em frente

a mente se calou de espanto

e calafrios, risos, arrepios

potes de sorvete, loucos pesadelos

tolos, todos ao avesso, inverso

em cada verso um grito

em cada grito amante

em cada gesto  omito

o  meu olhar distante

 

em face e adiante

tragando  dias

devorando hipóteses

teses  e  tesão

tensão

e de destino:

Dante.

 

 

Soldadinhos de hastags

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Todos os direitos ao artista (Rodapé)

 

Depois de alguns anos mergulhado no vicio, aprende-se a desconfiar rapidamente de certas coisas na Internet. Não falo apenas por ser um profissional do ramo tecnológico, mas sim porque, ainda como usuário, desenvolvemos instintos contra a falsidade e canalhice de certos links e propagandas que claramente foram desenvolvidas no intuito de infectar e roubar o máximo possível de dados, os famosos malwares. E isso nem é lá tão difícil, na verdade é bem simples obter informações da maioria, todavia não como um bandido! Falo de informações transmitidas de maneira inconsciente. Sem precisar de muito esforço, chegamos a certas conclusões com uma larga margem probabilística a favor, utilizando tão somente como fonte aquilo que é publicado pelos demais.

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A febre do novo século

man-on-bench

Eu não sei vocês, mas acho que o mundo está ficando cada vez mais sem graça. Não sei se estou batendo na porta da sabedoria ou da loucura. Contudo repito: ao meu ver, todos os dias, todas as horas, todos os momentos são preenchidos pelo tal do “mais do mesmo”. 

São sempre as mesmas pessoas, as mesmas músicas, os mesmos delírios, os mesmos temas. Não há inovação, empreendedorismo, novidades de vida. Aliás, nos últimos anos, “novidades” são ideias idiotas e recicladas -, Um museu reformado merece ser chamado de novo? Não! Não que Eu saiba. Não adianta reformas externas quando o conteúdo é batido e obsoleto. Minha geração é preta e branca, não cinza, simplesmente preta e branca. Vejo “cinza” como uma constante, tipo o céu nublado nos dias em que o sol está tímido. Dessa vez é diferente: o Sol realmente não deseja comparecer.

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