Plano de fuga

Planejo fugir para uma lugar escuro
E sem volta
Planejo sem pressa
E em secreto
Planejo ir para outro mundo
Deixar para trás esse mundo
E me infiltrar de penetra em novos absurdos
Planejo ir procurar amor
Na calada
Na tocaia
Tornar-me inteira
Deixando-me para trás
Previ:
Andarei em uma ponte sobre um precipício
Meu desequilíbrio me fará cair
Lá no fundo eu não sei o que será de mim

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Sem norte

Nesse porto muitos chegam, mas todos vão

Na solidão o marinheiro controla o navio

Deixando-se à deriva

E em perigo

 

Nesse porto não há abrigo

Quem chega sempre está perdido

E como uma aparição

Vai-se embora

Deixando ao relento o marinheiro

Que acostumou-se a navegar no vão

E sempre voltar ao porto sem arrimo

 

O marinheiro é o próprio ermo

Lugar desabitado

O diferente que encanta

E que o costume desencanta

O amor que é despedido

Quando um novo amor é empregado

 

O marinheiro não tem câmera para fotografar os golfinhos

Não tem norte

Não tem sorte

Ao olhar a agua tão límpida do mar

Ele sente vontade de se entregar

Afogar-se no azul anil cor de horizonte distante

No verde cor de trevo de quatro folhas

No infinito finito

E por fim ao seu destino improvisado

Que ele acredita nunca ter começado

Caos

Fujo desesperada

E em igual desespero

Encontro-me procurando o caminho de volta pra casa

A casa está sempre mal organizada

As velhas gavetas sempre emperradas

O tapete da sala coberto de pelos de gatos

E os gatos estão sempre gordos e desajeitados

 

Eu

Estou sempre perdidamente apaixonada

Pelo motorista do ônibus ou pelos calangos da praça

Minha órbita está desalinhada…

E quem me dera eu poder alinha-la!

E transformar em arco-íris essas cores oscilantes

Que embaralham a minha mente,

E em cada segundo,

Em cada instante,

Fazem-me enxergar tudo em tons AN-GUS-TI-AN-TES.

 

Escrito a lápis

quebra-cabeça

 

 

 

 

 

 

Minha boca calada, minhas mãos maculadas, cansadas,

a poesia insistindo em escorrer dos meus olhos,

um poema escrito, um soneto, sonata composta de alento

e de medo, do teu medo escondido, perdido entre olhos, olhares, sorrisos,

e os risos, e os pisos,pisadas que pisas no meu solo amigo, teus tolos delírios.

 

Meu coração desfolhado em páginas perfeitas, desfeitas pela confusão dos teus rabiscos

indefinidos, indecisos, são riscos perfeitos, traçados em corpo, teu corpo.

Meu copo está cheio, e a mesa vazia, meu medo,

meu medo o teu medo temia.

 

Se me ponho a caminhar sozinho o teu olhar me esquece.

Esquece ?

Peco às ruas cheias de pessoas servas de seu tempo

curto, nesse vão momento, breve esclarecido,

o poema semi-nu que te escrevi ainda está escrito.

 

Peço, não te apegues a lucidez deste poema,

esqueça que jamais te amei, e se te amei não sei,

errei e não te quero mais,

mas,

mais

mais!

Quero um pouco mais,

mas hoje não te sinto mais comigo.

 

 

 

 

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