Paulista

Todo homem tem a obrigação de cumprir sua palavra e honrar suas promessas. Se um cara não tem culhão nem pra fazer valer o que diz, então pode joga-lo fora. É um inútil, imprestável, covarde, indigno de confiança. Ao menos, penso dessa maneira. E acho que teríamos menos problemas no mundo se todos pensassem do mesmo modo. E por falar em promessas, passei duas longas semanas refletindo sobre todas as juras que fiz e que deveria ter feito, até que uma, em especial, veio a cabeça. Eu prometi há anos e precisava cumprir, do contrário seria tão covarde quanto os demais. A decisão veio na madrugada de um fim de semana. Levantei, tomei um banho e peguei as chaves do carro. Liguei para o meu segurança e juntos viajamos 840 Km Brasil a fora. 10 horas se passaram e já estávamos a um bairro de distância do nosso destino. Era uma dessas tardes chatas de verão sem vento, com aquele céu azulado, morto, sem graça, pós pôr do sol. As cigarras cantavam por todas as esquinas, quiçá no pais inteiro. Carrinhos de pipoca passavam e as mães chamavam os filhos pra jantar. Eu estava com características gerais de um indivíduo com sono: cabeça cheia, corpo mole e pau duro (aquela típica dureza involuntária), além de bocejar sem parar. Debrucei-me no muro de uma ponte e tentava dar vazão aos pensamentos, mas estava complicado. Estávamos numa cidade do interior de São Paulo. Eu não me recordo o nome da cidade, mas acho que ela tinha nome de santo. Saímos da cidade do Rio de Janeiro e revezamos na direção, fazendo apenas duas paradas. Esta, inclusive, era a segunda. Decidimos parar pra beber alguma coisa, jogar uma água no rosto e se preparar para uma grande noite. Da ponte, eu jogava pedras no rio e observava o fluxo das águas. Marcos saiu de um bar com uma garrafa de refrigerante da pior marca na mão e se aproximou sorrindo, balançando dois copos plásticos. Eu não bebo refrigerante há dez anos e ele sabia disso. De saco cheio, passei a mão na cara e soltei alguns palavrões.

— Foi tudo o que você conseguiu? — Perguntei.

— Olha… Foi tudo o que consegui.

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Mio caro Graciosa

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Estrategicamente, observava. Completamente mudo, como se as próximas atitudes determinassem o futuro da minha vida… Mania feia de levar tudo muito a sério, não é? Até concordo, porém você, garota, é meu grande dilema. E só pra variar (e concordar) a palavra “dilema” rima com o seu nome. Só que por hoje, Eu não estou nem ai! A vida era minha e nela Eu determino o que bem quiser. Ou pelo menos, foi assim que me enganaram e ensinaram a acreditar, então logo silencio a mente e volto a observar…

Céus! Como você é linda! E, acima de tudo, Eu a quero ao meu lado: Seja na praia mergulhando nas ondas do mar, quanto no campo, sob as sombras de uma boa e velha árvore. Quero de mãos dadas, trocando olhares e com toda aquela dormência nos lábios dos tantos bons beijos divididos. Seria pedir demais por um bom “single” do Phill Collins ao fundo? Ou, melhor ainda, seria ouvi-la dizer o quanto está apaixonada… Do quanto desejara a eternidade de um breve momento. Ah! Ajudaria também se Deus permitisse um radiante por do sol, com toda aquela vibração que nos relembra o quanto é bom estarmos vivos, apesar de a própria vida insistir na falácia niilista da completa falta de sentido em tudo.

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Atualizando o status

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Quando não existe amor, todas as atitudes de um casal são bem previsíveis. Por exemplo, contarei exatamente o que acontece quando duas pessoas magoadas decidem se distanciar:

O homem vai tentar renovar a vida e irá se machucar,
A mulher fará o mesmo, provavelmente depois de ouvir alguns conselhos, e também dará topadas.

Com sorte, o lado mais fraco e azarado voltará a procurar seu antigo par, isto é, se o orgulho permitir.

Só que, num relance simples dos fatos nascerá a prova de que nada mais será como antes. E o tempo vai dando cartadas e mais cartadas até um dos dois parar e perceber que o melhor remédio é zerar tudo e esquecer.

E assim termina uma história. Por falta de motivação, confiança e vontade de fazer diferente, de ser diferente.

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