Te encontrei outra vez

Era Junho, o frio finalmente chegara e pareava com o calor da fogueira de São João, melhor época do ano possível, a região inteira se unia em festins, jovens e velhos bebiam quentões e assavam carne e batiam muita resenha, oportunidade perfeita para conhecer novas pessoas e se divertir um tanto. Até quem não gostava de ouvir forró passava a gostar ou pelo menos fingiam. As bandeirinhas estavam por todo lugar. Podia-se escolher de dedo em qual casa ir dançar forró e comer comida da boa. O tal do forró, a única dança que sei arranhar um pouco. Essa semana tirei uma folga da lida no campo, vou daqui a pouco na cidade ver como está o movimento e pegar uns livros que deixei lá em casa. Não tenho com o que reclamar, as colheitas foram fartas por conta das boas chuvas no Nordeste e as vendas melhores ainda, esse ano e eu tinha um dinheiro bom guardado. No celular tocava Unha Pintada “Desculpa Amor”, sinto um arrepio na pele, fecho por alguns segundos os olhos e coço meu cabelo, dou um suspiro lento e forte. Perco-me em um pressentimento estranho. Escolho minha blusa xadrez azul, uma bota marrom, e meu chapéu de fazendeiro que deixei guardado, de novidade só a calça jeans que nunca tinha usado. Engraçado que nessa época do ano é modinha usar as roupas que uso o ano inteiro. Eu passo meu perfume Malbec que uso em poucas ocasiões, que tem má fama de ser usada por homens cafajestes. Eu não sou um canalha, mas gosto do cheiro de vinho do Malbec. Pego a chave da moto em cima da cama bagunçada de papéis, engulo um pouco de café pra me manter despertado, ultimamente tenho dormido muito pouco. Abro a porta do meu quarto, e na televisão da sala toca o forrozeiro Flávio José “Me diz, Amor”.

— Mãe, se eu não chegar hoje de madrugada eu só volto amanhã de manhã umas 10 horas, fica preocupada não, vou resolver umas coisas lá na cidade e encontrar alguns amigos das antigas, se der bom eu fico por lá mesmo.

— O sítio cheio de parentes e você vai dar perdido na cidade não sei pra quê João, vai encontrar alguma namorada lá é? Você anda muito estranho ultimamente escutando umas musicas dos anos 80. Qualquer coisa me liga. E se você beber pode ficar lá mesmo, não volte pilotando.

Eu ligo minha moto, faço uma breve oração e pego estrada. A lua está cheia e com um brilho intenso, meteoros rasgam o céu estrelado. Perco-me distraído enquanto piloto. Os fones de ouvido bem ajustados tocam a música Chão de Giz de Zé Ramalho. Não muito distante vejo a cidade iluminada de luzes amarelas e fogos de artifício brincam no céu. Suspiro fundo outra vez!

Sem nem me da conta chego na cidade e quero ver meu amigo e vizinho César que não vejo a alguns meses. E olha que são 10 anos de amizade na conta. Se é que o desgraçado já não está curtindo bêbado por aí.  Entro na minha rua e o cara estava lá, dando gargalhadas na roda de colegas sentado na porta da rua se aquecendo na fogueira e soltando rojão.

— João seu desgraçado, sumiu poh, só presta pra mandar figurinha no Whatsapp e ficar falando de estoicismo. No fundo acho que todo ser humano nasceu pra trabalhar, estudar, beber e fazer sexo pra distrair, o mais é bônus. Esse homem tá sumido, ninguém acha mais não, escondeu lá na roça e nem vem mais aqui. Nem te conto quem veio passar o São João na cidade esse ano.

— Depois que não te mando nada você reclama kkkkkkk, e ae, como tá o movimento por aqui meu brother? Tá inteiro ou tá virado? Eu não quis ficar lá no sítio não, só tem parente em casa e uns primos papo ruim que só falam de faculdade. Porra, larguei duas faculdades pra ficar ouvindo nego falar de faculdade em pleno São João. Meu Déficit de Atenção foi melhor utilizado nos empreendimentos rurais, tomate e cebola me dá dinheiro pra não precisar trabalhar pra seu ninguém, sem falar do que tenho investido em bitcoin. Quem é que veio mesmo passar o São João aqui?

— Ah, esqueci o nome dela, tomei um pouco de vinho e catuaba e estou com a mente um pouco variada. Vai ter um forró bom lá no Centro da Cidade, eles falaram que ia começar 8 horas, mas só vamos chegar lá as 10 horas pelo jeito. A melhor parte da festa é sempre depois do começo. Não quero ficar esperando a passagem do som. E você vai! Vai tá lotado de gente, é previso 50 mil pessoas. Não aceito uma recusa dessas.

— Claro que vou, eu não quero ficar olhando pra cara de pessoas feias sentado aqui na porta não. O mais do mais não me impressiona.  E nem ficar preso em casa mexendo no celular enquanto o bem bom tá rolando de festa, por favor, fazemos jus a nossa época, não somos da geração 2000. Finalmente Junho chegou. Quem é aquela garota de vestido preto e batom vermelho ali sentada na sua sala conversando com sua irmã?

— Como? Quem é ela? É aquela prima minha que te comentei aquele dia, ela curte umas coisas intelectuais que nem você, se deixar ela fica falando o dia inteiro de livros e uns filmes estranhos. Vamos lá que te apresento ela. Ela vai pra festa com a gente também. Vocês vão se entender bem pelo jeito. É a sua chance, depois você não reclama que não te apresento ninguém.

Como ela era linda, o vestido preto desenhava bem o corpo, o batom vermelho combinava com o olhar negro e profundo. Ela tinha um ar de mistério, amo mulheres com um ar de mistério. Elas escondem muita coisa. E de saber que ela curtia escrever, surgiu um interesse ainda maior. Como eu queria manchar aquele batom vermelho e de brinde dar uma leve mordida naquela boca.

Laís, esse é meu amigo, meu irmãozinho, o João que te falei outro dia. O cara que sabe de tudo um pouco, a Wikipedia de assuntos aleatórios kkkkk. Conversem aí que vou pegar um pouco de bebida pra o João não ficar com sede.

— Ah João, tudo bem? Ouvi falar de você, li uns textos seus que o César me mandou, me encantei, eu escrevo também, estou trabalhando em um livro de poesias. Disse ela enquanto mexia no cabelo e me encarava olho a olho. Aquela desinibição que o efeito do álcool proporciona e nem percebemos.

— Que interessante, depois você me manda algo seu pra eu ler, um romance talvez, como tá o andamento do livro? Esse clima é bom para ter umas inspirações pra escrever. Alguns contos baseados em fatos reais. Ah pois, Eu nem sabia que o César lia minhas coisas e ainda te mandou, tem uns textos meus que escrevo e nem leio, se não eu considero incompleto e apago. Disse eu tentando criar algum tipo de conexão sem ser muito evasivo.

— Meu livro está bem encaminhado, é um conjunto de poesias românticas, 100 ao total, de umas histórias de amor que escutei de muita gente, e resolvi eternizar na forma de poesias. Algumas são histórias minhas mesmo. 100% verídico. E você vai lá no forró né?

— Vou sim, se você for eu vou, precisamos conversar mais, não é todo dia que encontro alguém que curte escrever também, e apesar de que o César precisa de boas companhias não? kkkkkkkkk, brincadeira.

— Eu vou, apesar de que não sei dançar e prefiro mais lugares vazios. Eu vou abrir uma exceção pra o São João, São João é São João né, melhor que ano novo. E me traz umas lembranças boas de como meus pais se conheceram, a história vai  tá no livro em uma das poesias. Eu tô curiosa pra vê as casas antigas do centro. Se você tiver algum texto bom não publicado me envie, quem sabe coloco no livro.

—  João, bebe um pouco aí pra esquentar do frio, não vai ficar sem tomar nada hoje não. Tem que fazer parte do ritual ao líquido embriagante. Disse o César após me trazer catuaba em um copo de 500ml. E bebe rápido, eu já solicitei no app o carro pra levar a gente, daqui a pouco chega. Pode deixar a moto ai na porta mesmo, ninguém mexe.

— Esquentar? Com esse tanto que você colocou no copo eu suportaria o inverno russo sem camisa, quero é só ver a dor de cabeça depois kkkkkkk, mas vamos lá, tomar uma catuaba pra relembrar os velhos tempos. Disse eu bebendo com um sorriso sarcástico no canto da boca. Era minha bebida preferida. O desgraçado conhecia bem os meus gostos.

Um carro azul para na porta, era o Felipe, um ex colega meu da faculdade que tinha virado Uber. Eramos até próximos na época de curso, mas ele era “padrãozinho” demais para sermos amigos. Eu gostava mesmo era de ser excêntrico. Nunca fui o arquétipo da média, mas nunca banquei o inteligentinho pomposo. Eu gostava mesmo era da excentricidade. Meu jeito espontâneo era minha marca. E ser o “engenheirozinho” era o dele. Entramos no carro e fomos conversando até chegar no centro.

—  Olha só, o João, o cara que levava meio mundo na lábia época de faculdade bancando o psicólogo das pessoas. Só lembrei agora da época que pegamos um carregamento de camisas pra vender. Deu até um dinheiro bom pra nós dois. Você nunca mais me chamou pra conversar, nem pra tomar umas. O tempo passa mesmo viu kkk. Agora tenho que trabalhar aqui pois tenho minha filha pra criar. Em vez em quando pego uns projetos pra fazer ainda, hoje em dia temos que trabalhar com tudo um pouco. As coisas mudaram né, quem diria que só se usaria moeda digital. Na época nossa profissão pagava 8k pra qualquer um, hoje a automação reduziu muito a demanda por projetos. Ninguém apostava que os mercados não teriam mais atendentes e nem caixas, é pegar o objeto e sair, o sistema de identificação de rostos já desconta automaticamente da conta. E quem não tem dinheiro e leva algo a polícia localiza facilmente. Sem falar que quase tudo se vende pela internet. Depois que as drogas foram liberadas a violência reduziu bastante. Os carros robôs ainda não vingaram muito no Brasil, pois as pessoas ainda preferem um motorista pra conversar e desabafar. Estamos em 2030 meu caro, as pessoas precisam ainda mais de contato humano e o brasileiro ainda é um povo que por natureza curte jogar conversa fora por aí.

— Ora ora, vejamos só quem banca o conselheiro de pessoas agora. O bom é que você anda por várias cidades, o que tira um pouco o tédio. Nunca é bom ficar no mesmo lugar por muito tempo. O mundo é nossa casa.  Engraçado que naquela época você brincava dizendo que estava estudando pra depois virar motorista. Eu não vejo a galera faz um tempão, a maioria foram pra outras profissões. As festas da faculdade eram boas, deu pra fazer história em muitas delas. A primeira AgroFest marcou, tudo graças a você que organizou tudo. Você ainda cria cavalos de raça?

— Eu tenho 10 cavalos da raça Mangalarga Marchador. Continua sendo meu vício a criação de animais. Tenho 50 mil reais investidos só em cavalos. As vezes o investimento é certeiro, já vendi um animal que comprei de 5k por 30 mil. Espero ter essa sorte outra vez. Foi ai que tive a ideia de comprar esse carro pra trabalhar com algo diferente.

O som se fazia cada vez mais alto, o centro estava mais iluminado que o dia, e as ruas estavam lotadas de gente. O espírito junino tomava todos da cidade. É o tipo de momento que esperamos por metade do ano, e que nos marca como nordestinos. Tinha gente vinda de todo canto. Gente de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e até do exterior.  Nos despedimos do Filipe que dizia que chegaria mais tarde pra aproveitar um pouco com a esposa. O centro estava tão lotado que em menos de 20 minutos me perco da Laís e do César. Daqui a pouco eu ligava pra eles, não estava nem um pouco preocupado e não queria da a impressão de que estava fascinado pela Laís. Naquela noite eu dancei com mais de 15 pessoas diferentes e beijei duas delas. Encarem o beijo como uma forma de carinho, nada mais, nada menos. Enquanto caminho no meio da multidão ouço uma voz conhecida, que dizia surpresa meu nome. 

— João?

Me viro e vejo sentada em um banco cinza minha primeira namorada, a Catarina. Me recuso a acreditar, estou sem meus óculos. Ao me aproximar tiro a prova os 9, era ela. Meu coração palpita, minha garganta seca, e minha mão fica suada. Como era belo seus olhos verdes e o tempo a deixou mais linda ainda. Seu corpo era lindo e seu jeito atencioso não mudou em nada. Como pude eu perder essa mulher? Mas não me culpo, eu tinha apenas 17 anos na época, não era de se esperar muito. O tal do jovem só faz merda. O triste é que ela se casou depois de que me conheceu. Eu carrego em mim a maldição de que todas as mulheres que eu estabeleço um relacionamento se casam com o próximo namorado depois que me largam. Eu sou o Santo Antônio baiano, só pode. O preço é muito alto, não queria carregar esse título.

— Tudo bem contigo? Faz anos que conversamos, eu não quis se inconveniente com o Lucas e pedir seu número depois que paramos de nos falar. E eramos tão próximos, desde os 12 anos quando nos conhecemos no colégio. Não sei porque estraguei tudo querendo namorar contigo. Eu sempre perguntei a ele se você estava bem, só isso, eu queria apenas que você estivesse bem e feliz.

Conversei demais, o álcool chegou a cabeça. Geralmente sou frio e seco, escondo meus sentimentos e apreensões até o ultimo segundo. Um Peaky Bliders “frio e calculista” na qual o soro da verdade chamado álcool já tinha tirado minha vergonha. De sarcástico desinteressado eu tinha passado ao modo em que só queria falar verdades na cara de todo mundo e depois chorar no Whatsapp enchendo o saco de algum amigo escritor. 

— Tem coisas que não está em nosso controle João, passamos momentos bons, é só disso que me lembro. Você foi uma pessoa que transformou minha vida pra melhor com sua visão peculiar de mundo. A eventualidade da vida nos separou quando tive que ir pra São Paulo, você não tem culpa se não aguentou a barra de ter que esperar eu voltar.

— Engraçado é que ficávamos por horas escutando Legião Urbana sentados no sofá, e quando sua mãe saia de casa que a coisa esquentava kkkkk, eramos felizes com tão pouco. E aquele era nosso mundo e tudo nos bastava. Já diz aquela música, “tudo passa, tudo passara”.  Eu parei de escutar Legião pra não sentir dor com o que um dia foram bons momentos. Se fosse hoje eu dava um jeito de trazer você de volta pra cá. Eu tenho algumas poesias que preciso te entregar, guardei desde aquela época. E então, vamos dançar?

— Sim, vamos.

E os corpos quentes se encontraram  outra vez na noite, e o sentimento de reencontro passou propositalmente de seu devido limite. Beijo-a lentamente como se fosse o último beijo, pego em seus cabelos e sinto o seu cheiro suave. É o direito a despedida que não tive. Colo o corpo dela no meu e passo meus dedos sobre sua pele. E por fim o beijo se finda. Passa-se um filme em minha cabeça. Ela poderia ser minha mulher, mas não é. 

—  Fomos longe demais João, é por isso não podemos manter nem um tipo de contato, por fim realmente não nos esquecemos um do outro. Não sei porque me permiti tanto. O que você vai pensar de mim agora? Eu não deveria ter feito isso. Misturamos as coisas. Adeus, adeus.

— Tudo bem, deixo-a ir pois a amo, não a terei mais ao meu lado, mas a terei em meus textos e em meus pensamentos. Outro a terá, espero que ele cuide bem de ti. E que seja ele também amado por ti. Encare esse beijo como palavras ditas, como o que poderia ter sido mas não foi. O que aconteceu aconteceu e pronto, sem julgamentos. Um beijo não arranca pedaços e nos deixamos levar pelo momento. Amo você mesmo você não acreditando nisso, na época eu não entendia bem as coisas, hoje entendo, até. E quer saber de uma? Se ele realmente valesse a pena estaria aqui contigo, mas não está. Você casou com ele só por pressão de sua mãe.

— Continua o mesmo cara de anos atrás, que julga que tá fora da caixinha, mas no fim despreza os sentimentos dos outros e vive mudando de opinião o tempo inteiro. É só mais um descontrolado. Você não entende da intensidade com qual machuca as pessoas. Não entende o limite de suas ironias. E não joga limpo.

— Eu minto até pra mim meu bem, imagina pra você. Eu não quero mais você, te odeio e te amo, não me deixe. Eu já te superei completamente.

Fico parado olhando ela ir e sumir no meio da multidão. Sim, acabou. Ela partiu.  Não foi nada mágico e de final feliz.  Estávamos outra vez separados um dos outro. Sem contato, sem notícias, sem nada… Absolutamente nada. Minha noite já tinha terminado. O César e a Laís me encontram algumas horas depois em uma lojinha de comidas típicas e lembrancinhas. 

— Acharia estranho se não fosse de tua persona sumir sem avisar. Já era previsto. Em qualquer festa você prefere atuar em versão solo. Por isso nem te procurei, você evidentemente estava bem. Disse o César sorrindo de mim. Já são 3h da manhã e é hora de irmos embora. Por hoje já chega. Pode ficar lá em casa.

— Então quer dizer que você é do tipo que marca presença e depois some? Suas aparições e mudanças repentinas lembra o jeito do Conde de MonteCristo, João. Disse a Laís.

—  É quase impossível não se perder em meio a tanta gente, ainda mais que paramos pra falar com a galera conhecida. Não fiz por querer. Queria ter aproveitado mais a festa contigo.

— César, advinha quem eu vi? Catarina. Passou por mim e não deu sequer um Boa Noite. Eu também não faço questão. Nem sabia que ela viria.

— Ah sim, era sobre ela que eu tinha comentado que tinha chegado aqui na cidade depois de muitos anos. Eu só tinha esquecido do nome. Ela veio só. Encontrei ela esses dias por acaso. Ela tinha me perguntado sobre você. Se você estava bem.

— É preciso abrir espaço para o novo, João.  O que passou passou. Novas possibilidades estão sempre em vista. Hoje curti muito, isso tudo é lindo, estou surpresa. Ano que vem estarei aqui de novo com certeza. Só tive o azar de não ter ouvido seus comentários sobre a cidade. O César é muito impaciente. Até eu que sou do rock gostei desse clima, abri exceção. Já dizia Raul: ” Gonzaga é Rock”.

Chegamos na casa do César e ele estava evidentemente com aquela sonolência pós álcool, pra ele funcionou como um sonífero, havia bebido de barriga vazia. Foi ao quarto e acabou desmontando sobre a cama sem nem sequer se embrulhar.  

Eu deitei no sofá da sala e tentei dormir mas não conseguia, é como se ao fechar os olhos eu acordasse, uma série de pensamentos me procuravam, era a Catarina que invadia minha mente outra vez. Apesar de que eu não sentia mais nenhuma gota de paixão, era algo a mais. Eu não precisava ficar perto para ter uma conexão com ela. 

Ouço um sussurro no escuro!

— Vem, não faça nenhum barulho.

Pra um bom entendedor meia palavra basta. Era a Laís me chamando pra “conversar”. Sem mais delongas, era o tipo de mulher que não fazia joguinhos. Era meu tipo preferido. Por trás do mistério havia um lugar de delícias para os escolhidos. Eu não tinha errado em minha dedução. O César tinha dito que combinávamos, não esperava que tanto. Meu ego estava tão elevado que ameaçava sair da orbita da terra, apesar de meu emocional estar completamente destruído.

Fomos pra cozinha que era o lugar mais distante dos quartos da casa e não ousamos ligar a luz. É preciso ser lógico até nos momentos de tesão pra não estragar a brincadeira. Ficamos por ali mesmo fazendo sexo no escuro em cima da mesa. Não poderia terminar melhor, ela sentava muito bem e eu estava inspirado. O que poderia dar errado? Não sei. Foram quase uma hora de “bem bom” . Escutamos um barulho de passos, ela salta da mesa como uma destreza de quem já foi bailarina e pega seu vestido e se esconde atras da geladeira.  No impulso, ao sair da mesa eu tomo uma queda e bato com a cabeça no chão. Fico nu e desacordado. 

 

Abro meus olhos, estou caído no chão. A moto toda arrebentada, o farol mais parecia um lampião de gás. Meu celular no bolso toca ironicamente a música Chão de Giz. Eu tinha me distraído pilotando enquanto olhava os céus e sofri um acidente. E por sorte eu não estava em alta velocidade com a moto, andava na segunda, nada grave.  Fui arremessado e no instinto “apaguei”, droga, foi tudo um delírio de um acidentado. Eu pego o celular para ligar pra alguém e encontro umas  notificações de meu blog, uma escritora famosa elogiava meus textos e pedia meu contato. Eu vi chamadas perdidas e uma notificação no Whatsapp de um número desconhecido dizendo: “Oi amor, estou aqui”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Escreva um blog: WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: