leuqaR

Uma borboleta pousou na cabeceira da cama onde

Eu sonhei com um opaco mundo negro

Um mundo onde você já não mais existia

Pavorosa era a ideia manipulando minha mente

Talvez seja um fruto daqueles seus desejos suicidas.

E na madrugada que inundou de sobressalto

Essa versão dos fatos ecoaram como um berro

Em algum lugar do vazio que habita em mim

Pipocando loucuras, deslocando horrores

Multifárias sensações que desconhecia possuir

Senti saudades de tudo; companhia, perfume, voz.

Machucou-me no peito, fustigou minha coluna

As borboletas flutuavam, gargalhavam e murmuravam por todos os cantos

Era tão lúcido e vívido, com causa, razão, necessidade e motivo.

Corroeu-me até o abrir dos olhos, veto concedido pela luz do amanhecer

Só então pude observar meu quarto, notar seu sutiã jogado

Entre os copos sujos cerveja, entre os lápis e o cinzeiro da minha mesa

Bocejei, contemplei. Um, três, nove fios de cabelo no edredom

Lábios secos, costas doloridas, ardor na derme ou epiderme… a noite foi quente!

Outra daquelas que construímos só pra nós, como de costume

E você ainda estava lá, eu podia sentir, cheirar, ouvir

Cozinhando em algum canto preferencial da cozinha – da minha cozinha.

De pé? Descalça! De calcinha? Delícia!

Alcancei-lhe nos passos, na ideia, na malícia,

mordi sua nuca, ajudei na calda de chocolate, peguei outra bebida

Mesuras trocadas. Você gostou. O azulejo espelhou um sorriso puro

Que não combinaria contigo em qualquer outra face da rotina

Te ajudei a confeitar o bolo. Te ajudei a terminar o café

Você percebeu que eu estava estranho, apertou, exigiu -, descrevi meu sonho

Do quanto ele parecia um eterno dejà-vú e tudo quanto mais

Você transpirou. Emudeceu. Falou do horário. Vida. Trabalho. Parentes. Futuro.

Mas quem se importa? ainda temos um ao outro“,

sussurro após um beijo

Mas quem se importa? ainda temos um ao outro“,

escrevo no mesmo azulejo

Mas quem se importa? ainda temos um ao outro“,

desenho no bolo com a calda do chocolate

Era só um dia da quarentena que felizmente passou

Era só uma noite da quarentena que infelizmente acabou

A gente não contabilizou, a gente não se importou, a gente finge que não é nada

Vi onde a borboleta pousou, o sol nascer e se por, um sombrio bater de asas

Muito mais que melhor amiga. Você me fascina, nega. E, cara, faz muita falta

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