Hidden Somewhere

Sentei nas pedras do Arpoador para ouvir a solidão do mar

Para terminar minha bebida, sentir a brisa, namorar a lua

Só que ela me viu e se achegou, meio acabrunhada, indagou

Perguntou-me com seus castanhos tão francos

se o amor que descrevo nos textos realmente existe

Pois há décadas cansou-se de tudo

da rotina, do marido, dos parentes e do mundo

Será que o amor realmente existe, my dear?

acordo com o espetar de palavras vazias e tristes

durmo na pressa dum sexo pra lá de medíocre

Respondi que sim, cravei que sim, insisti que sim!

Que o amor que descrevo nos textos realmente existe

Disse que ela o conheceu em vida, que teve nele a alma lapidada

E que foi capaz de sentir seu cheiro nos livros clássicos

E que foi capaz de ouvi-lo batucar nos musicais dos anos trinta

E que foi capaz de prová-lo quando dançou na chuva, bêbada e sozinha

Expliquei que por isso ela sofria; só porque já sabia

O que de fato merecia sentir e o que de fato não mais sentia

Só valorizamos o doce ao provar do amargo“, conclui com um sorriso sujo.

Então ela se afastou, levantou e, acabrunhada, deixou-me.

Eu continuei ouvindo o mar, sentindo a brisa e terminei a bebida

Olhei para a lua com meus castanhos fatigados de variadas tentativas

Flertamos até o dia amanhecer, até ela me convencer a reescrever

Que o amor que descrevo nos textos talvez, quem sabe, realmente exista

 

 

 

 

 

 

 

Se eu te escondo a verdade, baby
É pra te proteger da solidão ♫♪

3 comentários em “Hidden Somewhere

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