Recordo-me outra vez

E como o Conde de Montecristo em seus mil disfarces percebo que os amores eternos tem sim seu devido fim se assim for necessário, que o tempo dá conta de ir apagando quase tudo, que os sentimentos fortes por vias de regra são meras recordações não resolvidas em 99% dos casos. E que o coração que se julga arrancado pode estar sofrendo apenas de um breve torpor.

Eu vi com esses dois olhos castanhos a mulher que eu amava se reaproximar como quem não quer nada… A nítida razão da metade de minhas poesias escritas. Só que a vida real não soa como nos livros. Somos tão péssimos e ridículos que criamos meras projeções de um ideal para depois de um engrandecimento artificial de significado possamos agonizar de dor.

“Amo e ei de te amar após mil invernos” que escrevi não tive nem a pretensão de dizer na cara. Foi trocado por um áudio dizendo: “Amava você, você me machucou, brincou e depois agiu como se nada tivesse acontecido, tem sua parcela de culpa, por isso agi como escroto”.

Eu não poderia distrair outra vez, não estava de maneira alguma agindo como um covarde pois nada me garantia que outra facada não estava a minha espera. E realmente podemos deduzir que há um amor presente nisso aí, eu estava disposto a abrir mão dos meus erros no passado também, mas porra, ela sequer cogitou a tentar justificar o rombo emocional que me causou. Vamos as possibilidades:

1. Ela é do tipo que não consegue assumir que quer mesmo querendo, o amor entre em jogo de interesses com o ego.

2. Tá querendo brincar mais uma vez.

3. Tem razão em dizer que na época não sabia da intensidade de meus interesses.

Parafraseando o Bukowski: Isso é o suficiente pra fazer um homem chorar! Eu não choro, You Cry?

Tenho guardado isso amarrado aqui dentro desde 2018 e então o que me vem a mente na quarentena. Não quero nem a pau pagar de homão alfa e fingir que nada tá acontecendo. Não está arrancado de mim pois ainda a amo. E nem estou muito esperançoso, sei que não me causa mais profunda dor e que tudo isso pode ser invenção de minha cabeça e nada mais. É o que em chama viva permanece quando a paixão vai embora.

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