Não-esteroidal

A casa é vazia e as paredes são mudas
Não há nada que não fique em secreto
Os gritos não ecoam, não produzem som
A dor é lenta, a vida é em pausas
Tudo tem o mesmo gosto: o sabor de outro tempo que não é este que se vive agora
O interior da casa é todo oco
O corpo se desfacelece no íntimo
A vida corre nas veias em baixa pressão
O coração bate em passos marcados
Tudo respira ofegante

Há um cansaço instaurado
A falta de vida inerente de um corpo que já nasceu dormente
Metabolismo desacelerado chocando com altas tensões
Há sempre um desmaio no fim
A hipotensão
Às 20:40, 11 g do analgésico que é
antipirético que é
anti-inflamatório
A vida despenca
Pálpebras pesam
As batidas são lentas do lado de dentro
Do lado de fora os choques já não despertam
A falta daquele último aceptor de elétrons para encerrar a cadeia respiratória
Eu digo: “Acorda, acorda!”
E o corpo já não mais acorda
Já não há hipotensão, ou pausa
A vida foi desligada
De energia lenta, a retirada brusca da tomada

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