Sentir

Não há abraço no escuro.
Tudo que tenho novamente são as 4 paredes do meu quarto.
Bloqueando a minha mente de qualquer escapatória.
Não há janela para a ventilação.
É uma quadrado fechado.
Os punhos todos fechados do lado de fora.
E aqui dentro a dor de não sentir nada.
O vazio com gosto de cravo, aquela anestesia esquisita, a dormência no peito que palpita fazendo barulho sem tocar nas paredes do corpo.
Antes os punhos invadissem o quarto e me atirassem socos.
E da dor abstrata, surgisse lágrimas e sangue em meu corpo.
(Ai os medicamentos me curariam)
Mas o quarto está fechado e em silêncio.
Há um certo esquecimento no ar, uma vontade de saltar um bocado de tempo.
Chegar à fase do fim sem se lembrar da estrada.
Partir pulando várias etapas.
A solidão, essa solidão que não é de colo, de beijo ou de carinho.
Mas da presença de alguém estático, que fique. Que seja. Que exista.
E se de bônus vier um abraço que não seja de um corpo pontiagudo que me fure e machuque daquela forma tão dolorida que não sangra.
Que se for para machucar que seja uma ferida palpável. Visível.
E que não cicatrize, mas regenere.
E do tecido velho, nasça um novo tecido.

4 comentários em “Sentir

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