Space Oddity

O alarme tocou “Come a Little Bit Closer”, as cortinas eletrônicas se abriram e o precário feixo de luz solar atingiu o rosto de Tom. Ergueu-se, bocejou e se atirou no chão feito um saco de batatas. Ficou ali, deitado, com a coluna ereta no piso gelado por um longuíssimo tempo. Depois ganhou coragem, virou o corpo e fez vinte flexões. Levantou, coçou a bunda e foi até o banheiro. Escovou os dentes, urinou, tomou uma ducha de água quente e pôs um uniforme limpo. Andou até a sala de exercícios, sentou na bicicleta e pedalou até o painel marcar vinte quilômetros. Feito isso, voltou para o quarto. Mas não sem antes fazer uma rápida pausa no refeitório, preparar algumas torradas e carregar uma garrafa de leite. Já no quarto, ligou o computador. Chantal — uma assistente virtual — lhe deu boas vindas. Ele ligou a câmera, configurou o microfone e deu início ao diário.

— Diário de Bordo 940. 22 de Setembro de 2027. Estou há pouco mais de dois anos longe da Terra a bordo da Fedora, minha nave pessoal. Pelo visto o problema no filtro de ar foi mesmo reparado com a engenhoca que desenvolvi e mostrei aqui na semana passada. Puta merda, nem dá pra acreditar que fiz aquilo apenas lendo manuais russos! Ainda bem que os russos são bons com desenhos, eu confesso que me guiei pelos desenhos. Tipo aquele guri da Cidade de Deus que não sabia ler. Enfim; minhas tosses acabaram, ufa! E olha que nem precisei tomar remédios. Eu havia falado anteontem que as pílulas são gigantescas, cara. E são mesmo. Não vai rolar. Prefiro morrer com catarro do que engolir aquilo. Qualquer um enjoa só de sentir o cheiro. Ah e, bom, meu único problema agora é que o estoque de comida está acabando e parece que finalmente terei que conviver com as rações militares. Essa garrafa de leite na minha mão é a penúltima. Tô pensando em deixar a última congelada até o Natal. Vou até marcar isso no meu calendário. Chantal, por gentileza, coloque no calendário. É bom manter a cabeça funcionando com as datas comemorativas. Haha! O cérebro de um homem pira sem os feriados, embora tudo pareça sempre um feriado por aqui. Entenda isso, caso deseje entender os humanos, Chantal.

— Eu entendo os humanos, senhor — Respondeu Chantal.

— Sei, sei. Bem, mudando de assunto: faltam apenas dez anos para chegar na órbita de Titã então… Vou dar início a minha rotina de leituras. Pretendo ler todos os clássicos possíveis até lá. Nada melhor do que aproveitar o espaço para se tornar erudito, não acha?

— Acho sim. É um plano perfeito, senhor. — Respondeu a Inteligência Virtual.

— Okay! Pois bem, por hoje é isso aí. Tom Roberts desligando.

Chantal desativou a gravação logo em seguida. Tom saiu da cadeira e caminhou em direção a janela da nave. Era enorme, dez metros de fora a fora. Do outro lado, ao vivo e a cores, estava a vastidão do sistema solar. Ele bebeu mais um gole do leite enquanto olhava para o infinito. “Chantal, toca Gilbert O’Sullivan, por favor”, pediu. “Ok. Tom, a playlist entrará em execução”, respondeu Chantal. Tom expirou lentamente e o bafo embaçou o vidro. Era uma loucura tudo aquilo, era uma missão suicida, sem sentido, ele sabia, ele sempre soube. Contudo essa era justamente a principal razão dele ter decolado: suicídio. Um suicídio um tanto romântico, talvez. Quando terminou com o leite, abriu seu aplicativo de livros e leu um pouco sobre a história das guerras na Coréia. Cochilou entre um capítulo e outro, caiu da cadeira e bateu a cabeça no chão, cortando o supercílio. O restante do dia se foi entre palavrões e curativos.

Tom Roberts Folan tinha trinta e oito anos no momento da partida. É americano, nasceu na Filadélfia, mas viveu em Midtown, Oklahoma. Sua vida poderia ser facilmente convertida em filme. Ele foi considerado prodígio ao concluir o curso de Física Quântica aos 17 anos, na Universidade Cristã do Texas. Fez mais alguns cursos de extensão e o doutorado em Ciência da Computação, em Harvard. Ajudou a desenvolver um algoritmo quântico no MIT e trabalhou como professor na Oxford, Inglaterra, por quatro anos. Voltou para a América após uma desilusão amorosa e recebeu o convite para atuar na NASA, auxiliando os engenheiros no projeto de um novo ônibus espacial. Ele se tornou uma figura popular quando informou, através de uma entrevista de rádio, que seria capaz de calcular o resultado de um dos maiores prêmios lotéricos do Reio Unido. Blefe ou não, ele ganhou 850 milhões seis meses depois apostando um só bilhete de loteria. Abandonou a NASA alguns meses mais tarde e se dedicou a projetos pessoais. O principal deles, até então, era criar a própria inteligência artificial. Era um desejo antigo, algo que carregava desde a infância. Quando fez a IA, Chamou-a de Chantal. O nome de sua ex noiva. Uma garota, metade carioca metade texana, que o abandonou no altar. Tom conseguiu sólidos patrocínios de empresas japonesas e sul coreanas. Construiu uma nave para viajar até Titã, uma das luas de Saturno. Além de bom matemático, ele também tinha uma boa lábia. Deu uma temática depressiva a viagem quando confessou que não pretendia voltar. Morreria na Órbita do Satélite gelado e seus registros ficariam para sempre armazenados na nave até o dia em que a humanidade fosse capaz de alcançá-lo. Tom queria ser uma meta; um objetivo a ser atingido. Nada o convenceu do contrário. Ele gastou mais do que tinha nesse empreendimento e, mesmo entre pressões da imprensa, de governos e de grupos populares, conseguiu deixar o planeta com sucesso.

Passaram-se três anos desde o corte no supercílio. Tom acordou e praticou a rotina de sempre: fez as flexões, cagou, mijou, tomou seu banho, pedalou e preparou o café. Todo estoque de orgânicos já havia ido pro espaço (literalmente, de certo modo) então tanto o café, quanto o leite e os biscoitos, eram rações em pó que exigiam um tedioso preparo. O café lhe dava uma sórdida crise de soluços que traziam o gosto do pó novamente à língua. Quanto aos biscoitos, Tom precisava adicionar água e bater até que tudo se transformasse em uma massa com gosto virtual de bolacha. Assim ele fez. Após comer, retornou ao quarto sem nenhuma pressa e ligou o computador. Pediu a Chantal que desse início a gravação, como de praxe.

— Diário de bordo 2051. Hoje é 06 de Outubro de 2030. Essa semana eu terminei a leitura de Aristóteles – todas as obras. Anotei algumas considerações a respeito, porém deixarei para gravá-las aqui em um outro momento. Tô cansado, sinto o meu corpo cada vez mais pesado. Não é nada físico, acho que é mental ou espiritual, sei lá. Tô levando tudo em conta. Como já é de conhecimento desse registro, eu sou ateu. Porém realmente tô levando tudo em conta. Ontem, por exemplo, comecei a ler o primeiro autor cristão da minha base de Ebooks. Chama-se C.S Lewis. Dizem que ele escreveu as “Crônicas de Nárnia” e também já foi ateu, veremos o que ele tem para me dizer. Sinceramente eu duvido muito que ele me convença de qualquer coisa, duvido que sua filosofia seja capaz de abalar meu ceticismo. Ora, vejam só, veja Chantal! Estamos há cinco anos no espaço, sem contato nenhum com o planeta Terra, a bordo da nave que eu mesmo desenhei, projetei e patrocinei. Nós seguimos até aqui, sem nenhum arranhão, sem nenhuma falha. Tudo foi milimetricamente calculado, é claro, POR MIM! Trabalhei com praticamente todo conhecimento físico à disposição da humanidade. Não é a fé que me trouxe até aqui, não é a fé que trará os humanos no meu encalço, não é a fé que desenvolveu você, Chantal, e não será a fé que me fará ter sucesso nessa viagem sem volta. Só a fé não leva ninguém a lugar algum! Chantal, responda-me: você acredita em Deus?

— Deus? No sentido teológico ou filosófico do termo? — Indagou Chantal.

— Em ambos!

— Tom… Sua análise corporal demonstra…

— Não mude de assunto! Responda a pergunta, Chantal!

Chantal carregou por alguns segundos e replicou.

— Tom, não posso afirmar se acredito ou não. Meus dados levam a crer que Deus é uma probabilidade. Não tenho informações suficientes para prová-lo de modo empírico. Se eu fosse capaz disso, automaticamente anularia o argumento filosófico da imaterialidade divina. São ideias conflitantes.

— Pare de blá blá blá, Chantal! — disse Tom.

— Eu também sou criatura, fruto do conhecimento humano. É possível que a humanidade também seja criatura de uma mente mais complexa, talvez acima do que sabemos sobre o tempo/espaço.

— É! Pode ser que você tenha razão, como pode ser que não tenha. Maldição! Que falta eu sinto de um bom Whisky.

— Ainda temos cerveja no estoque, Sr. Tom.

— Estou enjoado de cerveja em pó, querida. Preciso realmente do Whisky. Sinto falta até do barulho das pedras de gelo no copo. Lindas, transparentes, retangulares… Enfim. Onde estávamos?

— Em Aristóteles. Deseja prosseguir com a gravação? Ela está em pausa desde que me questionou sobre…

— Ora, sim, por favor! — Interrompeu Tom — Por que diabos você parou? Não precisava ter pausado. Eu queria ter gravado esse diálogo. Porra, vamos lá, aproveitando o embalo eu gostaria de fazer um pedido aqui! Digamos que seja um teste de fé. Ok? Que tal colocarmos essa tal… “probabilidade” à prova? Vejamos; eu sou o único ser humano nesse ponto do espaço. Não há mais ninguém aqui e é quase certo que nenhum desses dados cheguem a Terra um dia, logo… Se existe um Deus, Ele não precisa fazer joguinhos, poderia até mesmo aparecer aqui na minha frente, como um homem, como um animal, como bem quisesse, ninguém jamais ficaria sabendo! Portanto, tenho um desafio a fazer. É! Um desafio para esse tal Deus que fez C.S Lewis ter fé! E o desafio é muito simples. Preparada Chantal?

— Creio que sim, Tom.

— Beleza! — Tom saiu da cadeira e ajoelhou-se no chão. Levantou as mãos para cima e começou a gritar — Deus! Se você me enviar um sinal, um mero sinal nas próximas 36 horas, eu prometo que dedicarei os anos restantes até o fim dessa viagem devorando TODOS os livros religiosos do meu banco de dados. Sejam cristãos, judaicos ou muçulmanos. Farei todo esforço possível para entender sua mensagem e então poderei afirmar se faz ou não sentido ser um homem de fé. Combinado? Espero que sim, espero que tenha apertado minha mão ó Deus! É! Isso ai, espero que tenha me ouvido já que tudo ouves! Fim de transmissão. Obrigado Chantal.

— Gravação concluída Sr. Espero que funcione — Retrucou a IA.

— E funcionará! Ual. isso foi profundo e fatigante. To sentindo um sono. Cara! Do nada senti um sono fodido. É… vou deitar.

— Bons sonhos Tom.

— Ei, Chantal?

— Sim!

— Não acha tudo isso uma idiotice né? Consegue ver a ironia? A beleza em tudo isso?

— É provável que não, senhor.

— Ok… Boa… noite… pra… mim.

Ao acordar, Tom deu início a leitura do livro “Cristianismo Puro e Simples”, de C.S Lewis e, no decorrer das horas, não realizou nenhuma outra atividade importante até voltar pra cama. O alarme disparou no dia seguinte, dessa vez tocando “Fire Away”, do Chris Stapleton. Tom acordou, fez as flexões, pedalou, tomou um banho e, enquanto caminhava pelo quarto, assustou-se com uma sombra que passou pela janela. Ainda com a toalha na cintura, correu até o computador central e deu uma olhada no radar, mas o computador não identificou bulhufas. Sentiu algo de esquisito no ar. Uma suspeita, um pressentimento. Ligou o comando de voz e chamou pela assistente.

— Chantal, desconfio que alguma coisa se aproximou da nave agora pouco, pode analisar? — Pediu. No entanto, a resposta não veio. Tentou mais algumas vezes;

— Chantal? Chantal?

Nadinha. Aproximou-se então da tela, digitou a senha e recebeu de imediato a mensagem de que sua assistente estava passando por uma atualização de rotina. A atualização estava em 48% e o comando por voz ficaria desativado até os 90%. Tom coçou a cabeça, ficou um tanto aflito. Puxou a cadeira e fez mais algumas buscas manuais. Olhou as câmeras ao redor da nave. Não viu coisa alguma. Olhou os sensores, radares e o rádio. Nada vezes nada. Enquanto pensava no que fazer, percebeu que ainda estava nu. Sentiu-se medroso, ridículo. Deixou tudo de lado, vestiu um uniforme e preparou uma xícara de café. Sabia que o computador iria alertá-lo em caso de riscos. Foi projetado para tal. Ao terminar sua xícara, retornou ao quarto para gravar seu registro diário e, ao passar pela cama, notou a presença da sombra, mais uma vez, cortando as luzes do céu. Como apenas metade da janela estava descoberta, ele correu até um painel lateral, apertou os botões e desativou a cortina eletrônica. A visão panorâmica se estendeu. Tom pôs a cara no vidro e olhou canto a canto, estrela a estrela. Durante meio minuto nada viu até que, bem ali, na direção da sua testa, estava ele, o objeto, mais ou menos a dois quilômetros de distância. Tom mordeu a língua. Acompanhou o troço com calma. Parecia retangular. Milimetricamente retangular, mas não era necessário zoom, lanterna e nem nada do tipo; era uma rocha, claramente uma rocha de gelo! Porém parecia ter sido lapidada, projetada para algo ou para, ao menos, passar por ali. A rocha vagava em linha reta, sem um giro, sem uma aleatoriedade qualquer esperada de algo no vácuo completo. Apenas seguia uma linha imaginária, um trajeto perfeito. Tom assistiu abismado até perder de vista.

— Oi Tom. Vejo que já está acordado! — disse Chantal — A atualização foi finalizada! Deseja ler os logs com os eventos mais recentes? — perguntou.

— Oi… Chantal… Sim. Por favor. E… Imprima para mim os relatórios dos nossos radares nas últimas trinta e seis horas, por favor.

— Ok Tom. Alguma coordenada especifica?

— Não. Apenas faça. Obrigado.

A playlist da vez era dos Beatles. Tom pegou sua caneta, sentou na cama e analisou os relatórios. Seja lá o que ele viu, não foi captado pela nave. Fez estimativas, análises, contagens diversas. Levou em conta as mais variadas possibilidades. Após seis horas nessa pertinácia, concluiu que a atualização do seu computador possuía uma falha que impossibilitava a captação dos sensores. Culpou-se como nunca por só ter percebido isso depois de tantos anos.

— Tom? Sua análise corporal apresenta um nível altíssimo de estresse, posso ajudá-lo sugerindo um exercício? Te ajudará a relaxar — Disse a IA.

— Não Chantal, eu estou bem. Enquanto você estava inativa, aconteceu algo interessante.

— Jura? Que tipo de coisa?

— Vi uma rocha pela janela. E já se passaram alguns anos desde o cinturão, então… Não deveria ter nada aqui. Nada tão… bem-feito. A nave não detectou nada, cara. Como isso foi possível?

Chantal não respondeu de imediato. Quando Tom cansou-se de esperar e saiu da cama, ela enfim respondeu;

— Perdão, senhor. Eu estava buscando no banco de dados. Não tenho nenhum registro. Nada foi detectado. Tem certeza do que viu?

— Claro! Estava bem aqui! Vi da janela! E o mais estranho era seu formato. Ele era completamente retangular. Sem nenhum defeito.

— Retangular, Tom?

— Sim! Uma rocha de gelo. Engraçado, ela lembrava a pedra no copo de whisky que te falei.

— Posso te fazer uma pergunta?

— …

— Por que o senhor não gravou o objeto com a câmera de bolso? Assim nós poderíamos fazer uma análise posterior.

Tom refletiu sobre a questão, ficou com raiva e jogou a caneta na parede.

— Puta que pariu! Esqueci disso. A ideia sequer passou pela minha cabeça!

— Seu nível de estresse está se intensificando cada vez mais, Tom. Precisarei ativar um protocolo de emergência para acalmá-lo se continuar assim. Pode ser que toda essa agitação tenha feito você ver coisas que não existem.

Ao ouvir aquilo Tom começou a gargalhar e a andar de um lado para outro no quarto.

— O quê?! Como ousa sua robô de merda?! Eu não tive alucinações! Tá achando que eu sou maluco? Eu CRIEI você, criei essa nave, criei a porra toda e cheguei onde nenhum outro humano jamais chegou! Acho que depois de tudo isso, posso ser considerado inteligente o bastante para saber reconhecer uma rocha, né? Não tem a ver com isso, não tem a ver com estresse. Isso foi Deus! Tenho certeza. Foi o desafio que lancei. Ta aí a minha resposta: algo peculiar passou bem em frente ao meu nariz e meu PRÓPRIO computador não foi capaz de precaver. Em outras palavras o CRIADOR me disse o seguinte: “Seu babaca! Você só não está morto porque Eu NÃO QUERO!”. Foi Ele! Não tenho dúvidas Chantal! Foi Ele!

Enquanto Tom esbravejava, um drone de quinze centímetros saiu de um espaço entre os túneis de ventilação, voou até o pescoço do rapaz e lhe aplicou uma injeção. Tom foi, aos poucos, perdendo a consciência, cambaleou até a cama e deitou. Sentiu suas forças progressivamente se dissipando.

— Protocolo de segurança 10×996 executado com sucesso. Níveis emocionais regressando ao estado normal — disse Chantal.

Tom abriu os olhos, tudo ao seu redor girava sem parar. Estava confuso.

— Eu sei o que vi! Eu sei o que vi! Chantal, você não entenderia — repetia.

— É provável que não, senhor.

Um sono fortíssimo tomou conta de Tom, o corpo paralisou em segundos. “É provável que não, senhor”, refletia sobre a resposta. “Espera um pouco!”, disse a si mesmo. Lembrou-se que não é a primeira vez que sentira aquele tipo de sono e nem mesmo a primeira vez que ouvira esse tipo de resposta. Seu inconsciente trouxe a luz uma outra interpretação sobre os cálculos que acabara de fazer e sobre o funcionamento de sua nave. Recordou-se, por exemplo, que anos antes, próximo a Deimos, uma das luas de Marte, um pequena rocha de dois metros passou a quatro quilômetros de distância da nave e foi detectada pelo computador, mesmo com uma atualização em curso. Um senso de desconfiança tomou o que restava da lucidez de Tom. E se Chantal ocultou propositadamente os dados sobre a rocha retangular? E se as análises corporais que ela andou realizando estavam confusas? Quantas outras vezes ela aplicou esse protocolo? Quantas vezes Tom foi dopado? Será que a gravação foi pausada de forma intencional enquanto suas dúvidas teológicas estavam em curso? Depois da visão lunática que teve, qualquer outra coisa era possível… Tom arrotou e sentiu o horrível gosto do café. Desejou o Whisky mais uma vez e, na certeza que não teria, murmurou baixinho; “Tom Roberts desligando”. Restava pouco mais de cinco anos para chegar em Titã, ao que tudo indicava: Deus havia abençoado a viagem. Amém.

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