Eu já disse que me sinto sem forças? Os dias não têm sido gentis. Todo dia uma facada no peito. De pessoas diferentes. Situações diferentes. Até eu mesma tenho cravado o punhal em mim. Todas as dores do mundo fazem morada em mim. Abrigo as dores muito bem. Corroo-me muito facilmente.

Comprei um livro ontem. Devorei-o de imediato. Tamanha era a minha fome de ler algo que me desse algum ânimo. Não ânimo desses pra ficar feliz, rodopiar; mas ânimo para apesar de tudo continuar. Quintana disse “O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. / Quem a encontra / Salva-se a si mesmo…”. Por isso, hoje eu continuo. Remando em mares profundos e pegando as garrafas jogadas ao mar, para assim salvar o que ainda resta de mim.

Anúncios