Se não fosse a contemplação das coisas belas tudo estaria terminado em um absurdo de vazio e sofrimento, tudo estaria acabado antes mesmo de começar. Nossos dias se tornariam ainda mais sem sentido e sem graça pois o infinito cinza não teria valor algum em si mesmo. As almas com pouca autoconsciência não sentiriam tanta dor assim, já que repetem dormentes como máquinas de vagões as multidões inquietas…

 

Pereceria no canto da rua o poeta, 

O músico não teria mais seu canto,

Nem sequer teria companhia o pintor. 

 

Seriamos um pálido mar de gente sem cor reduzidas a escravidão da rotina, sem a percepção do que realmente concede sabor a existência. Expor-se a coisas belas funciona como o remédio face a vida que não é perene. Quantas vezes sentimos bem ao ouvir uma boa música olhando o céu estrelado…

Lembro-me certa vez que minha cidade ficou sem energia por um dia, através desse evento pude fazer algo que a mais de cinco anos eu não fazia; Foi me dado o prazer de contemplar o céu mais estrelado que já pude ver em toda minha vida. Fiquei lá quieto por horas amando aquele amado céu que em mil poemas não caberia, resgatou de imediado os momentos que quando eu era criança passava horas da noite olhando para as estrelas.

É algo místico a contemplação das coisas belas e traz muita paz para o coração. É algo que o sucesso profissional não seria suficiente para preencher. É por isso que eu escrevo, mesmo não tendo talento para algo tão elevado; Como um gato preto que atravessa uma avenida movimentada de carros e passa por debaixo de um carro e mesmo assim sai do outro lado vivo e sem nenhum ferimento. É enigma!!

Mesmo nós sendo maus, Deus não nos privou das coisas belas! Ainda podemos sentir o beijo da pessoa amada, o abraço apertado do filho, o gosto intenso de um vinho tinto ou de um café forte, podemos ainda ouvir Bach e Lizst enquanto vemos os tons amarelos de Van Gogh. É algo poético que nos faz sentir inteiramente humanos.

 

 

 

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